O pincel era feito de uma haste de madeira e de um chumaço de pelo de tigre; até a marca levava o nome do doador dos pelos: Marca Tigre.
A tela foi confeccionada de algodão, do melhor algodão, impregnada de uma base acrílica, uma superfície toda pronta para acolher a mais bela pintura.
O pincel olhou a tela que estava estirada num retângulo de madeira de 120 por 80 centímetros e foi falando:
– Seu eu quiser e tu deixar, te pinto toda reproduzindo uma paisagem capaz de multiplicar por mil o teu valor!
– Bem que eu gostaria! Respondeu a tela! Mas que eu saiba, apenas nós, pincel e tela, isso não acontecerá!
– Certo! Acrescentou o pincel! Precisamos da parceria de vários tubos de tinta de diversas cores. Ao menos a amarela, a magenta, a vermelha, a branca e a preta.
Convidaram os tubos de tinta a óleo e se reuniram para concretizar a obra de arte, mas nada aconteceu. Foi a tela que lembrou:
– Sem o artista com sua mão competente somos apenas elementos separados. Somos membros de um corpo, mas a alma é o pintor capaz de misturar as tintas e modelar a paisagem sonhada.
O artista foi convidado. Fez-se uma grande parceria. Juntos criaram uma paisagem muito bela e tão exuberante em cores que era capaz tirar o fôlego.
Tenho pensado na tela, no pincel, nos tubos de tinta e no pintor. Só a parceria foi capaz de unir elementos necessários para que pintura se concretizasse. Assim somos nós: embora sendo um valor pessoal, separados não concretizamos a vida em plenitude. É necessária a parceria para que a obra da vida seja uma pintura que valoriza cada um em unidade, como a pintura final da tela, de nossa lenda, valorizou a ela, o pincel, os diversos tubos de tinta e o pintor!